quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Taí o competente amigo-poeta-cronista-articulador do renomado "Jornal de Negócios" - SENHOR RENATO FRAGOSO - carinhosamente conhecido como "BRUXO" !!!


O competente amigo-poeta-cronista-articulador do renomado
"Jornal de Negócios", SENHOR RENATO FRAGOSO, carinhosamente conhecido como "BRUXO"

UMA TEMPORADA NO INFERNO

(Variações sobre “UNE SAISON EN EFER” - Arthur Rimbaud)

Ò me perditum!

Quem, afinal, sou eu? Um homem de grandeza permeado por todas as misérias humanas? Ou um pobre miserável com ranhuras de certas grandezas humanas? Um homem de tamanha pequenez? Ou uma pequenez de envergadura humana. Ou uma pequena ilha repleta de escassez?

Quem me anuncia por primeiro? Um anjo torto ou esse demônio cego? Talvez dissesse Paul Claudel como o disse sobre Rimbaud: “Um místico em estado selvagem.” Na verdade, nem Rimbaud, nem Verlaine, nem Rilke, nem Wittiman, mas um boçal, um fulano de tal, um perscruador visceral das profundezas abissais da alma?

Quem me habita, me sacrifica!

Escravisa-me em Áfricas.

Eu vim de parteira. E foi dona Alma, sob a bruxuleante luz de lamparina, que me trouxe esta obstinação de errante. Mas foi com Berthold Brecht que desaprendi os limite das águas: se é a margem que reprime o rio ou o rio que devora a margem.

Em Camões e Pessoa, me apaixonei pela poesia. A poesia é meu alimento diário. Ela é minha concubina e como todas as amantes, é infiel.
Sou eu, que vago como um Tuareg pelo deserto de minhas ausências, sou um mercador do nada a desafiar o sol escaldante e o abutre que espreita minhas entranhas. O Saara decreta minha aridez até eu me transbordar de solidão.

Um poema:

Um Fado
Quando ouço um fado lisboeta,
Algo, por fora me escraviza,
Outro, por dentro, me liberta.
Assim, impreciso, sigo a guisa...

Quando ouço um fado de Amália,
Cospe-me um vulcão à vida insana,
Corta-me, me lanha, me espalha
Ao longe, ao derredor da Taprobana...

Ao ouvir os fados lusitanos,
Vem-me uma augusta dor peninsular,
Enxugo essas lágrimas com teus panos.

Ao ouvir esses fados d’Além Tejo,
Vem-me insopitável desejo,
De navegar muito além d’além mar,
Muito além de mim.

E Baudelaire sentencia: “É necessário estar sempre bêbado. ∕ Tudo se reduz a isso; eis o único problema∕Para não sentirdes o horrível fardo do Tempo, que vos abate e vos faz pender para a terra,∕ é preciso que vos embriagueis sem cessar.∕Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, a vossa."


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Uma DICA: leia semanalmente no "Jornal de Negócios" a

sua fenomenal e imperdível coluna!

Um comentário:

Penetralia disse...

O Renato falou algo que é absoluta verdade um dia desses: não é que não existe cultura em BD, mas a cultura aqui é fechada, monolítica. Pessoas de fora que vivem aqui integradas tb me disseram isso: professores de universidade estão tendo que dar aulas de atualidades para os alunos, pois eles se fecham e não buscam notícias fora desses nossos horizontes.